COLEÇÃO DE PROTESTO APRESENTA: "ERA UMA VEZ NO BRASIL"

COLEÇÃO ERA UMA VEZ NO BRASIL...

 

Editorial

A inspiração para a temporada 21/22 da Coleção de Protesto é ninguém mais, ninguém menos, que um ícone da cultura pop: o cineasta Quentin Tarantino.

 

A nova coleção traz referências do universo e da estética do aclamado diretor, mas principalmente de sua mais recente e brilhante revelação: o revisionismo histórico.

 

Em seus filmes mais recentes, Tarantino propõe a reinvenção do passado com desfechos mais positivos e surpreendentes, seja com Hitler e sua cúpula sendo mortos por judeus em Bastardos Inglórios, ou com o ex-escravo Django vencendo o racismo do sul dos Estados Unidos, e ainda com mulheres heroínas e protagonistas, como em Kill Bill. O ponto alto desse novo olhar “Tarantinesco” está em sua última obra, Era uma vez em Hollywood, em que altera o roteiro do trágico destino da atriz Sharon Tate, evitando seu assassinato pelas mãos da família Manson.

 

Estamos propondo o mesmo exercício do “e se”: e se Marielle Franco tivesse escapado do ataque miliciano? E se a presidenta Dilma não tivesse sido vítima de dois golpes? E se Lula não tivesse sido preso e pudesse concorrer à Presidência em 2018? E se Paulo Freire tivesse recebido aqui o devido mérito, e seu legado conduzisse os rumos da educação de nossas crianças e jovens?

 

Como estaria hoje a situação do nosso país e das pessoas que nele vivem?

 

No best-seller 1984 de George Orwell, o governo autoritário e ditador pregava o lema: “quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”. Nesses tempos sombrios que estamos vivendo, que remetem ao cenário surreal do livro de Orwell, em que se tenta glorificar ditaduras e golpes antidemocráticos, anular processos eleitorais idôneos, minimizar as violências sofridas por mulheres, pretos, pobres, índios, e especialmente, justificar a morte das pessoas e do meio ambiente, com redes de mentiras que só depõem contra a vida, parece válido fazermos este exercício, com a diferença que aqui claramente não queremos apagar a história, mas muito antes, validá-la.

 

Estamos saindo de uma pandemia que nos expurgou de nossos armários, que separou o joio do trigo, e estamos entrando num período decisivo da nossa história, onde cabe a cada um de nós exercer o papel de cidadãos que defendem a justiça e a vida.

 

E se...

 

E se esse movimento ganhar força, gerando reflexão e lançando luzes na escuridão, poderemos reescrever nosso futuro?

 

Coleção de Protesto apresenta:

 

Era uma vez no Brasil...